Talleyrand -Na
sessão de 14 de Agosto de 1789 da Assembleia Nacional francesa falou-se de
impostos e foi apresentada uma moção propondo, designadamente, «que os impostos
fossem pagos por todos os indivíduos do reino, na proporção das suas rendas» e
que «os encargos públicos pesariam de futuro igualmente em todos». Poucos dias
depois, um nobre, o Marquês de La Coste, tomou a palavra para, face ao que
disse ser o estado lamentável das finanças públicas, apresentar um projecto de
cinco pontos do qual se destacava o nº 1: «que os bens eclesiásticos fossem
declarados nacionais». Logo um deputado, o Sr. de Landine, fez algumas
propostas concretas e dirigiu uma exortação aos eclesiásticos: «Vinde,
ministros dos altares, vinde em socorro da pátria: escutai sua voz, que vos
chama, é ela que vos dá estes bens, vós não sois mais do que usufrutuários;
deveis-lhe este sacrifício por grande que seja.» Logo outro deputado, o Sr. de
Talleyrand, Bispo de Autun, veio em seu apoio: «O passo a que Mr. de Landine
nos convida, honrará infinitamente o clero.»
Isto
de confiscar os bens da Igreja já por cá se viu depois que os liberais chegaram
ao poder, em 1834. Largas fortunas se criaram então. Agora, com os
neo-liberais, há o perigo de que algum se lembre de medida idêntica. Não,
claro, porque tenha qualquer conhecimento destes acontecimentos mas
simplesmente porque as aves de rapina a algum sítio precisam de ir buscar o
alimento e o terreno de caça é cada vez mais restrito.
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